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Novos modelos de negócio. Diversificação de mercados. Novas tecnologias de fabrico. Sustentabilidade. Estes são alguns dos principais desafios que vão caracterizar o futuro do sector de moldes.
Seis empresas integraram o painel de debate ‘Desafios do mundo digitalizado que vão influenciar a sustentabilidade das empresas de moldes’, que decorreu no dia 23 de novembro, integrando o programa da Semana de Moldes, mais concretamente no conjunto de seminários subordinados aos temas da investigação, desenvolvimento e inovação no cluster ‘Engineering & Tooling’.
Elsa Henriques, professora do Instituto Superior Técnico e membro da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), moderadora deste seminário, propôs aos oradores uma reflexão sobre o que será o futuro da indústria de moldes, tendo como ponto de partida o presente, marcado por questões como o impacto da pandemia nos negócios e o papel que terá a digitalização. Mas um dos pontos-chave da conversa centrou-se na forte dependência que o sector tem da indústria automóvel e que, segundo as empresas convidadas, dificilmente se conseguirá alterar nos próximos tempos.
Júlio Grilo, da Simoldes, lembrou que o ramo automóvel tem tido um forte investimento de I&D, incorporando termoplásticos cada vez mais, o que ilustra a importância que os moldes continuarão a ter. E isto, salientou, “não mudará nos próximos anos”. Uma outra questão para a qual chamou a atenção é que “os construtores automóveis estão a garantir fabricação na Europa, em lugar de a levar para os países de mão de obra mais barata”. Por tudo isto, considerou que a dependência do automóvel é algo positivo, uma vez que, para ser fornecedor do automóvel “é preciso ter competência e inovação”.
Luís Marrazes, da Tecnimoplás, salientou que ao contrário do que sucedia no passado, as inovações não são agora impostas pela indústria automóvel. “Esta segue-as de outros sectores, como as telecomunicações”, frisou, mostrando-se convicto de que, muito em breve, surgirão novos e inesperados players na indústria automóvel, o que será um desafio acrescido para os moldes.
Sustentabilidade
João Faustino, da TJ Moldes prosseguiu, lembrando que há anos a indústria de moldes tinha atividades que suportavam a indústria, como os brinquedos, mas que foram para países com menor especialização e mão-de-obra mais barata. O sector nacional ficou, por isso, com a indústria automóvel. “A sua dinâmica tem feito a nossa indústria crescer muito. Contudo, com essa dependência, se o automóvel falha, temos um problema sério”, afirmou, adiantando que para ultrapassar isso, “temos ido a outros mercados e procurado alternativas, mas nenhuma outra área industrial tem o mesmo peso”.
A mesma opinião foi partilhada por José Carlos Gomes, da GLN, para quem “a diversidade de peças da indústria automóvel dá capacidade e dimensão ao sector de moldes e isso não é fácil mudar”. Para este responsável, um dos principais desafios que as empresas terão pela frente prende-se com a necessidade de encontrar uma solução para o fim de ciclo do plástico. “O problema não é o plástico, que é um produto excelente, com vantagens em inúmeras situações”, enfatizou, considerando que o que é preciso é mudar o comportamento das pessoas na questão da reciclagem.
Também Manuel Novo, da Erofio, se mostrou preocupado com a questão da sustentabilidade, considerando que a embalagem é o sector mais crítico. No seu entender, é preciso premiar as pessoas para que comecem a encarar a reciclagem de outra forma.
Luís Febra, da Socem, concordou que a sustentabilidade está muito assente na comunicação e informação. “Diabolizou-se o plástico. Mas as alternativas que têm sido criadas são piores”, afirmou, defendendo que a indústria terá de conseguir passar essa mensagem. Em relação ao futuro, afirmou-se convencido de que as empresas estão hoje “capacitadas para avançar com novas formas, porventura mais virtuais, de negociação e venda”.
João Faustino exemplificou com o caso das vendas de moldes em leilões. Algo que, considerou, “obrigou as empresas a capacitar-se”. No seu entender, esta prática está a desvirtuar o negócio dos moldes, colocando a questão, quase exclusivamente no preço e, em muitos casos, com “condições de concorrência muito desiguais e pouco justas”.
Tecnologias
Para Luís Febra, os fabricantes de moldes terão de passar a habituar-se a trabalhar num “modelo misto” de negócio, que conjuga a proximidade entre cliente e fabricante, mas também o recurso a ferramentas digitais.
Luís Marrazes enfatizou que as tecnologias estão ao dispor das empresas para facilitar, dando como exemplo a digitalização inteligente. “As tecnologias servem para gerar valor”, permitindo, até, “criar modelos de negócio diferentes”, afirmou, acentuando que “o nosso DNA é digital”.
No que diz respeito a tecnologias, Manuel Novo exemplificou com o fabrico aditivo que, no seu entender, “está cá para apoiar as empresas”. Explicou que olha para este sistema “como olhava, há 30 anos, para a erosão de fio. Poucos tinham, mas começaram a comprar e, algum tempo depois, estava disseminada pela indústria”. No caso da sua empresa, contou, “em 90% dos moldes temos aplicado o fabrico aditivo”. O processo de adoção dessa tecnologia, explicou, começou há uma década. “Fomos comprando, adquirindo conhecimento e experiência. Tem havido muita evolução destes processos. O fabrico aditivo é o futuro e é uma mais-valia”, salientou.
Júlio Grilo considerou, por seu turno, que “temos de ter em conta que, muitas vezes, o high-tech não quer dizer sinónimo de excelência”. As tecnologias, sublinhou, só servem se permitirem às empresas melhorar o seu processo e ganhar qualidade. E nisso as universidades e centros tecnológicos têm um papel primordial, desenvolvendo soluções que permitam ganhar competitividade, considerou.
Os oradores concordaram ainda numa outra questão que, no seu entender, fará a diferença no futuro de todas as empresas: os recursos humanos. A competitividade das organizações, defenderam, está dependente do seu capital humano. Por isso, enfatizaram, é necessário apostar em formação e condições atrativas para as pessoas.