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06 Julho 2026
03 Julho 2026
A ZVEI (Associação Alemã da Indústria Eletrotécnica e Digital) apelou à criação de uma aliança europeia para a eletrónica automóvel, apresentando uma visão para a futura arquitetura elétrica e eletrónica (E/E) dos veículos.
Com a rápida evolução para os Veículos Definidos por Software (Software-Defined Vehicles – SDV), o valor acrescentado dos automóveis está a deslocar-se progressivamente do hardware para o software. Neste contexto, a associação defende uma maior uniformização tecnológica, com o objetivo de reforçar a competitividade da indústria europeia face aos principais concorrentes internacionais, nomeadamente a China e os Estados Unidos.
Arquitetura centralizada e zonal
Atualmente, a maioria dos automóveis recorre a uma arquitetura distribuída, composta por dezenas de Unidades de Controlo Eletrónico (ECU), cada uma dedicada a funções específicas do veículo. A proposta da ZVEI passa pela adoção de uma arquitetura zonal centralizada, assente em três pilares:
• Computadores centrais de elevado desempenho, responsáveis pelo processamento dos dados e das funções de inteligência artificial;
• Controladores zonais, que gerem diferentes áreas do veículo, simplificando a distribuição de energia e a comunicação entre sensores e sistemas eletrónicos;
• Separação entre hardware e software, permitindo a atualização remota das funcionalidades do veículo, sem necessidade de alterar os componentes físicos.
Segundo a associação, esta abordagem poderá reduzir entre 30% e 40% o peso e a extensão da cablagem, contribuindo para uma maior eficiência energética, menores custos de produção e uma melhor preparação para sistemas avançados de condução autónoma.
Oportunidades para a indústria de moldes
A evolução da arquitetura eletrónica dos veículos poderá também ter impacto na indústria portuguesa de moldes, criando novos desafios e oportunidades de desenvolvimento.
A substituição de múltiplas ECU por computadores centrais e controladores zonais exigirá o desenvolvimento de novos componentes, como caixas de proteção, suportes estruturais e sistemas de arrefecimento, que implicam soluções de moldação mais complexas e elevadas exigências de precisão.
Por outro lado, a redução significativa da cablagem deverá diminuir a necessidade de componentes plásticos de fixação, incentivando os fabricantes de moldes especializados neste tipo de peças a evoluírem para produtos de maior valor acrescentado.
A proposta da ZVEI poderá ainda acelerar o desenvolvimento de tecnologias como a In-Mold Electronics (IME), que integra circuitos eletrónicos diretamente em componentes plásticos durante o processo de injeção. Esta tendência poderá representar uma oportunidade para as empresas portuguesas que já investem em investigação e desenvolvimento nesta área.
Na perspetiva da associação alemã, a criação de uma aliança europeia para a eletrónica automóvel constitui um passo importante para reforçar a soberania industrial da Europa. Para a indústria de moldes, esta transformação poderá traduzir-se numa crescente procura por soluções capazes de responder às exigências de uma nova geração de veículos mais digitais, eficientes e tecnologicamente avançados.
Fonte: all-about-industries.com
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